2º ENCONTRO – ESCAMBO DE VIVÊNCIAS


Oi, pessoal! 

Como exposto anteriormente no nosso primeiro encontro, o grupo inicial sugeriu e consensou uma dinâmica de trabalho, de forma que fossem sugeridos diversos temas com abordagens em diferentes formatos (textos, filmes, músicas, imagens dentre outras). A proposta é que a partir de temas apresentados em diferentes formatos, possamos refletir, dialogar e construir práticas.

Outra coisa: – A ideia é que nos encontros tenha um ou mais participantes para introduzir as temáticas, as nossas reflexões e diálogos e após cada encontro, uma/um de nós fique responsável por um relato do rolê – um texto inicial -, que com a contribuição dos demais possa se tornar uma escrita coletiva, colaborativa e criativa. Ao final de cada semana o texto é migrado e compartilhado aqui no blog. Outra metodologia para a sistematização dos nossos encontros numa visão mais experimental, sugerimos atividades para quem topar o desafio, da produção de Narrativas Digitais que podem ser compartilhadas através de pequenos vídeos, histórias, animações dentre outros formatos, onde procuraremos fazer uma analogia entre os nossos estudos e a nossa realidade cotidiana. Para esta segunda proposta estamos elaborando um roteiro para que possamos colocar em prática, este experimento.

A proposta deste grupo é aberta, está em permanente construção e por isto, se quem está acabando de chegar tiver outras sugestões, por favor, coloquem na roda. Botam fé? São todas super bem vindas! Bora lá, convidem a galera da sua quebrada porque estamos aqui muito afim, de colar com todas e todos que chegarem.

A seguir o relato e a escrita coletiva do nosso segundo encontro que aconteceu no início da semana, segunda feira, dia 06 de abril de 2020, com a presença do Alisson, Welbeth, Tayná, Otávio, Ravi, Patrícia e de mais três novas participantes – a Lara, a Ana Clara e a Monaliza. Foi tudo de bom!

Fonte: Google Imagem

Fonte: Google Imagem

“Um antídoto contra a inércia”

TEXTO E FILME: relacionamos as ideias apresentadas no texto “Discurso sobre a Servidão Voluntária” de Étienne de La Boétie publicado no ano de 1563, com o enredo do filme Bacurau lançado em 2019, produzido no sertão do Rio Grande do Norte, Brasil, ambos sugeridos no primeiro encontro, comparando ambas produções com o atual contexto da nossa realidade.

HÁBITO: Dentre os pontos relevantes do texto, foram ressaltados o conceito de hábito que, de acordo com o texto, é a “primeira razão da servidão voluntária” e, portanto, reprime qualquer tipo de reação contra um tirano mesmo que este, também de acordo com La Boétie, seja um indivíduo refém de uma certa fragilidade e que depende de aparatos de poder para que sua tirania seja mantida. Esse hábito que reprime a ação pode ser justificado pelo fato de que já nascemos integrados em uma organização que nos impede de visualizar outros modos – talvez mais autônomos, autogestionáveis – de viver e conviver em sociedade e, mesmo que essa visualização aconteça por parte de alguns indivíduos ou grupos, a ação é impedida pela presença ou pela falta de presença do Estado. 

NECROPOLÍTICA: observamos que pela presença ou pela falta, há de se entender a estratégia estatal definida pelo filósofo camaronês Achille Mbembe por Necropolítica – política de soberania que determina quem são sujeitos descartáveis por não se adequarem (ou suportarem) ao que se espera de uma sociedade voltada para produção mercadológica. 

O Estado-Nação moderno do qual fazemos parte é portanto, orientado por uma lógica individualista econômica e punitivista, ideologia esta que investe explicitamente na morte como forma de governabilidade – Neoliberalismo ou Capitalismo Selvagem – e que privilegia o lucro de poucos em detrimento da miséria da maioria. 


Exemplos citados: 

(1) a atuação policial chilena de repressão às manifestações sociais recentes (2019) contra o projeto neoliberal vigente no país por aproximadamente 30 anos;
(2) a crescente e sempre presente brutalidade autoritária policial nas periferias e nas margens urbanas do Brasil promovendo o genocídio das pessoas pobres e negras;
(3) o posicionamento de banalização do governo federal, mais precisamente do atual presidente da nossa república – Jair Bolsonaro -, frente ao enfrentamento da pandemia do novo coronavírus/covid 19;
(4) a influência religiosa  de cunho político, dogmático e econômico sobre a população mais humilde;
(5) o sucateamento da educação e da saúde pública;
(6) o desmantelamento das políticas públicas de ações afirmativas destinadas principalmente para as populações vulneráveis e em situação de risco.

Pulsão de morte – Fonte: Google Imagem

REAÇÃO: Nesse sentido, um dos objetivos do Estado capitalista enquanto modelo de organização social é a eliminação de organizações e formas de existir dissidentes à sua hegemonia. Ao relacionarmos essa discussão entre o texto e o filme, refletimos sobre como a população da cidade de Bacurau no enredo, reage contra a tirania imposta pelo governo municipal, sendo o ápice dessa reação estendida à uma ameaça externa nazifascista explicitamente aliada à esse governo. Algumas questões foram mencionadas tais como a subjetividade do território; símbolos de reação e unificação cultural (como a personagem Lunga, a semente-planta-raiz utilizada em determinadas situações pela população, e a ação/reação contra a opressão). Outra consideração apontada foi a relevância – além das problemáticas – de uma comunicação local altamente ou precariamente tecnológica. 

Fonte: Google Imagem

Durante a discussão sobre o filme, também refletimos sobre a música “Réquiem para Matraga” de Geraldo Vandré, uma das faixas que compõe a trilha sonora e que para além do filme, também ilustra o texto. 

Requiém para Matraga (Geraldo Vandré)

Vim aqui so pra dizer

Ninguem ha de me calar

Se alguem tem que morrer

Que seja pra melhorar

Tanta vida pra viver

Tanta vida a se acabar

Com tanto pra se fazer

Com tanto pra se salvar

Voce que nao me entendeu

Nao perde por esperar

Música disponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=oRxPYxFNh9k

COMPARAÇÃO COM A REALIDADE: Foi lembrada, por exemplo, como a situação de Bacurau se assemelha em muitos sentidos à situação geral brasileira, tratando-se de períodos eleitorais, quando políticos buscam currais eleitorais, manipulando as pessoas, oferecendo migalhas para os seus eleitores e quando eleitos, não cumprem com suas “promessas” deixando no abandono as populações em maior situação de riscos e vulnerabilidade. Principalmente considerando as comunidades e distritos mais periféricos – como exemplo em Pedro Leopoldo, o caso de Quinta do Sumidouro, Fidalgo, Quinta das Palmeiras, Vera Cruz de Minas, dentre outras comunidades. O filme trabalha um futuro distópico mas que está apenas “a alguns anos depois”, como mostra em seu início, bem mais próximo do que imaginamos. 

COMUNICAÇÃO: Ao falarmos também sobre a comunicação, refletimos que a sua importância para uma organização reativa esteja simultaneamente ligada ao empecilho que a tecnologia proporciona ao oferecer diversas plataformas, ideias, informações que dificultam a nossa adaptação à própria tecnologia e consequentemente a nossa compreensão de mundo. A partir disso, foram sugeridos o estudo do conceito de “educomunicação” proposto pelo Prof. Ismar de Oliveira Soares da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), membro fundador do Instituto Paulo Freire e o filme “Uma Onda no Ar”, dirigido pelo cineasta belorizontino Helvécio Ratton, que apresenta a história da Rádio Favela (Rádio Comunitária originária do aglomerado da Serra – BH/MG) como alternativa de comunicação dentro da periferia. 


> ENTÃO PARA O NOSSO 3º ENCONTRO FICOU ASSIM: Continuamos os nossos trabalhos com a mesma dinâmica: (1) leitura de texto – livro “Ideias para adiar o fim do mundo” de Ailton Krenak (2019),  que pode ser acessado aqui ; (2) assistir o filme – “Uma Onda no Ar”, dirigido pelo cineasta belorizontino Helvécio Ratton, que apresenta a história da Rádio Favela (Rádio Comunitária originária do aglomerado da Serra – BH/MG) e que está disponível no Youtube. ; (3) encontro on line – reflexão, diálogo e contextualização das ideias trazidas pelas temáticas.

DATA: 13/04/2020

HORÁRIO: 18 horas (socialização) 18h30 início das nossas discussões

Plataforma Google Hangouts 

ATÉ LÁ! 

Ah, sim… Não daria para terminar nosso relato, sem antes deixar um salve para a Lara que brilhou com sua participação e para do Welberth que é muito cabuloso na rapidez para encontrar os endereços de referências. Valeu galera!

Só para lembrar

  • As referências de leitura “O Discurso da Servidão Voluntária” de Étienne de La Boétie e o filme “Bacurau”  estão disponíveis no relato do nosso 1º Encontro.
  • Comentários, outros questionamentos, dúvidas? Bora prosear. 

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